segunda-feira, 21 de abril de 2014 10:58

O que Motivou Arnaldo Jabor a compor uma estória de depoimento

O BRASIL INTEIRO DEVERIA LER ESTA ENTREVISTA


Entrevista com o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, ao jornal O Globo.


Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema




O GLOBO: Você é do PCC?


- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…


O GLOBO: – Mas… a solução seria…


- Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.


O GLOBO: – Você não têm medo de morrer?


- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.


O GLOBO: – O que mudou nas periferias?


- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”… ha, ha… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.


O GLOBO: – Mas o que devemos fazer?


- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”. Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete anti-tanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?


O GLOBO: – Mas… não haveria solução?


- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco…na boa… na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi cheentrate!” Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.


Arnaldo Jabor





http://cbn.globoradio.globo.com/Player/player.htm?audio=2006/colunas/jabor_060707&OAS_sitepage=cbn/comentarios/


“Eu escrevi nos jornais uma coluna em que inventei uma entrevista imaginária com um traficante preso do PCC. Na entrevista o personagem de ficção critica o Brasil de hoje e denuncia os erros das polícias e da sociedade. É um texto do qual eu me orgulho. É legal o texto. E todo mundo gosta, mas não acreditam que fui eu que fiz. Acham que é real a lucidez do bandido.” Arnaldo Jabor, Rádio CBN, 07/07/2006



Depoimento


que Motivou Arnaldo Jabor a compor uma estória de depoimento:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/20060708-marcos_camacho.pdf

quarta-feira, 16 de abril de 2014 04:34

Documentário norueguês: "Lavagem Cerebral"

 Harald Eia


(Sociólogo e Humorista)

A “Teoria de Gênero” sofreu um grande golpe em 2012. O Conselho Nórdico de Ministros (uma comissão internacional (de)formada por representantes dos governos da Noruega, Suécia, Dinamarca e Islândia) decidiu encerrar o Instituto de Gênero Nórdico (NIKK). O NIKK era fundamental para o poder de ideólogos de gênero terem em mãos fartas verbas dos contribuintes nos países nórdicos, produzindo bases “científicas” para políticas sociais e educacionais que fizeram esses  países serem considerados os mais “sensíveis às questões de gênero” do mundo – por critérios dos próprios ideólogos em suas instituições, claro.


Como resultado, o NIKK luta para ressuscitar desde o ano passado. O site do Instituto já saiu e voltou ao ar algumas vezes. No entanto, quase não se vê notícia disso na mídia internacional. Há algum tempo, o site do Instituto voltou a funcionar com um novo nome: “Informações Nórdicas para o Conhecimento de Gênero“. O antigo Instituto agora está abrigado pela Secretaria para Pesquisa de Gênero da Suécia (alguma surpresa aí?). No site, que está reconstrução, já se pode ler novamente artigos com a “cientificidade” que conhecedores reconhecerão, como para dizer que o desequilíbrio climático do planeta se deve ao excesso de poder nas mãos dos homens.


Harald Eia

A decisão do Conselho foi tomada após a o canal de TV estatal norueguês exibir um documentário expondo falta de caráter científico do Instituto. O produtor da série é Harald Eia, comediante conhecido na Noruega por suas sátiras na TV. Harald Eia tem formação em Ciências Sociais. Ele ficou intrigado pelo chamado “paradoxo norueguês da igualdade de gênero”. O “paradoxo” é que, apesar de todos os investimentos governamentais orquestrados pelos “engenheiros sociais” para a Noruega ter sido escolhida o país com maior igualdade de gênero, homens e mulheres continuam a preferir profissiões consideradas como “estereótipos de gênero” (mulheres ainda tendem à enfermagem e medicina, homens ainda tendem mais a tecnologia, construção civil, etc.). Mesmo com todo o investimento governamental, as preferências profissionais de homens e mulheres não só parecem persistir, como por vezes parecem se tornar mais tradicionais do que antes.


No documentário, Eia, com sua equipe de filmagem, fez algumas perguntas simples e relevantes aos grandes “especialistas em Gênero” do NIKK. Depois, entrevista os cientistas responsáveis por pesquisas recentes envolvendo o tema em países como a própria Noruega, Reino Unido e EUA. Harald mostra a todos os cientistas as respostas fornecidas por seus colegas. Eia registra em vídeo como as afirmações das autoridades nórdicas em Gênero, que orientam as dispendiosas políticas de “igualdade”, causam espanto na comunidade científica – principalmente porque fica explícito como os pesquisadores de gênero baseiam suas afirmações nas suas próprias teorias, sem fundamentação em pesquisa empírica. Harald então volta a Oslo e mostra as gravações aos pesquisadores do NIKK. Acontece que, diante de pesquisas científicas empíricas, os “Especialistas em Gênero” não conseguem defender suas teorias perante dados fatuais.


O vexame que foi a exposição pública da farsa que são as pesquisas de gênero do NIKK, as pessoas começaram a fazer perguntas. Afinal, são 56 milhões de euros do dinheiro dos impostos usados para patrocinar as “pesquisas” de ideólogos de gênero sem qualquer credenciamento científico exceto o fornecido por eles mesmos.


O documentário, essencialmente, consiste de algumas perguntas honestas, simples e objetivas, feitas por um sociólogo e comediante sinceramente interessado em desvendar o “Paradoxo da Igualdade de gênero”. Mas isso foi suficiente para mostrar que todo celebrado edifício da “Teoria de Gênero” não conta com alicerces, mas sim com a exploração da ingenuidade pública. Quiçá essa lição seja aprendida por mais pessoas em outros países, outros continentes e na ONU, onde essa ideologia, com seu potencial de capitalização econômica e política, é acalentada pelos ocupantes dos gabinetes prestigiosos.


O documentário completo de Harald Eia foi disponibilizado por ele mesmo no site vimeo. Inicialmente, estava protegido pela senha “hjernevask” (“Lavagem cerebral” em norueguês, título aliás muito bem escolhido para o documentário).


O documentário completo (com legendas em Inglês):


Part 1 – ”The Gender Equality Paradox”  Part 2 – ”The Parental Effect” (“O efeito parental”)  Part 3 – ”Gay/straight” (“Gay/Hetero”)  Part 4 – ”Violence” (“Violência”)  Part 5 – ”Sex” (“Sexo”)  Part 6 – ”Race” (“Raça”)  Part 7 – ”Nature or Nurture” (“Natureza ou aprendizado”)


Texto retirado do site (http://br.avoiceformen.com/noticias/como-harald-eia-abalou-a-ideologia-de-genero/)


Episódios 1 e 3 Legendados em Português retirados do Canal do Youtube (https://www.youtube.com/user/mohann2007)


Episódio 4 Legendado em Português retirado do Canal do Youtube (https://www.youtube.com/user/MrMmetal)


[youtube http://www.youtube.com/watch?v=G0J9KZVB9FM&w=560&h=315]


Episódio 1 do documentário norueguês "Lavagem Cerebral"


[youtube http://www.youtube.com/watch?v=sED5qymZck0&w=560&h=315]


Episódio 3 do documentário norueguês "Lavagem Cerebral"


[youtube http://www.youtube.com/watch?v=uIUd11R0gGw&w=560&h=315]


Episódio 4 do documentário norueguês "Lavagem Cerebral"

segunda-feira, 14 de abril de 2014 12:10

Corrupção no Governo Lula - Lista!

Carteiros-queimam-bandeira-do-PT-Agencia-Brasil111011_RNA1208

 

Caso Pinheiro Landim
Caso Celso Daniel
Caso Toninho do PT
Escândalo dos Grampos Contra Políticos da Bahia
Escândalo do Propinoduto (também conhecido como Caso Rodrigo Silveirinha)
CPI do Banestado
Escândalo da Suposta Ligação do PT com o MST
Escândalo da Suposta Ligação do PT com a FARC
Escândalo dos Gastos Públicos dos Ministros
Irregularidades do Fome Zero
Escândalo do DNIT (envolvendo os ministros Anderson Adauto e Sérgio Pimentel)
Escândalo do Ministério do Trabalho
Licitação Para a Compra de Gêneros Básicos
Caso Agnelo Queiroz (O ministro recebeu diárias do COB para os Jogos Panamericanos)
Escândalo do Ministério dos Esportes (Uso da estrutura do ministério para organizar a festa de aniversário do ministro Agnelo Queizoz)
Operação Anaconda
Escândalo dos Gafanhotos (ou Máfia dos Gafanhotos)
Caso José Eduardo Dutra
Escândalo dos Frangos (em Roraima)
Várias Aberturas de Licitações da Presidência da República Para a Compra de Artigos de Luxo
Escândalo da Norospar (Associação Beneficente de Saúde do Noroeste do Paraná)
Expulsão dos Políticos do PT
Escândalo dos Bingos (Primeira grave crise política do governo Lula) (ou Caso Waldomiro Diniz)
Lei de Responsabilidade Fiscal (Recuos do governo federal da LRF)
Escândalo da ONG Ágora
Escândalo dos Corpos (Licitação do Governo Federal para a compra de 750 copos de cristal para vinho, champagne, licor e whisky)
Caso Henrique Meirelles
Caso Luiz Augusto Candiota (Diretor de Política Monetária do BC, é acusado de movimentar as contas no exterior e demitido por não explicar a movimentação)
Caso Cássio Caseb
Caso Kroll
Conselho Federal de Jornalismo
Escândalo dos Vampiros
Escândalo das Fotos de Herzog
Uso dos Ministros dos Assessores em Campanha Eleitoral de 2004
Escândalo do PTB (Oferecimento do PT para ter apoio do PTB em troca de cargos, material de campanha e R$ 150 mil reais a cada deputado)
Caso Antônio Celso Cipriani
Irregularidades na Bolsa-Escola
Caso Flamarion Portela
Irregularidades na Bolsa-Família
Escândalo de Cartões de Crédito Corporativos da Presidência
Irregularidades do Programa Restaurante Popular (Projeto de restaurantes populares beneficia prefeituras administradas pelo PT)
Abuso de Medidas Provisórias no Governo Lula entre 2003 e 2004 (mais de 300)
Escândalo dos Correios (Segunda grave crise política do governo Lula. Também conhecido como Caso Maurício Marinho)
Escândalo do IRB
Escândalo da Novadata
Escândalo da Usina de Itaipu
Escândalo das Furnas
Escândalo do Mensalão (Terceira grave crise política do governo. Também conhecido como Mensalão)
Escândalo do Leão & Leão (República de Ribeirão Preto ou Máfia do Lixo ou Caso Leão & Leão)
Escândalo da Secom
Esquema de Corrupção no Diretório Nacional do PT
Escândalo do Valerioduto
Escândalo do Brasil Telecom (também conhecido como Escândalo do Portugal Telecom ou Escândalo da Itália Telecom)
Escândalo da CPEM
Escândalo da SEBRAE (ou Caso Paulo Okamotto)
Caso Marka/FonteCindam
Escândalo dos Dólares na Cueca
Escândalo do Banco Santos
Escândalo Daniel Dantas – Grupo Opportunity (ou Caso Daniel Dantas)
Escândalo da Interbrazil
Caso Toninho da Barcelona
Escândalo da Gamecorp-Telemar (ou Caso Lulinha)
Caso dos Dólares de Cuba
Doação de Roupas da Lu Alckmin (esposa do Geraldo Alckimin)
Doação de Terninhos da Marísia da Silva (esposa do presidente Lula)
Escândalo da Nossa Caixa
Escândalo da Quebra do Sigilo Bancário do Caseiro Francenildo (Quarta grave crise política do governo Lula. Também conhecido como Caso Francenildo Santos Costa)
Escândalo das Cartilhas do PT
Escândalo do Banco BMG (Empréstimos para aposentados)
Escândalo do Proer
Escândalo dos Fundos de Pensão
Escândalo dos Grampos na Abin
Escândalo do Foro de São Paulo
Esquema do Plano Safra Legal (Máfia dos Cupins)
Escândalo do Mensalinho
Escândalo das Vendas de Madeira da Amazônia (ou Escândalo Ministério do Meio Ambiente).
Escândalo de Corrupção dos Ministros no Governo Lula
Crise da Varig
Escândalo das Sanguessugas (Quinta grave crise política do governo Lula. Inicialmente conhecida como Operação Sanguessuga e Escândalo das Ambulâncias)
Escândalo dos Gastos de Combustíveis dos Deputados
CPI da Imigração Ilegal
CPI do Tráfico de Armas
Escândalo da Suposta Ligação do PT com o PCC
Escândalo da Suposta Ligação do PT com o MLST
Operação Confraria
Operação Dominó
Operação Saúva
Escândalo do Vazamento de Informações da Operação Mão-de-Obra
Escândalo dos Funcionários Federais Empregados que não Trabalhavam
Mensalinho nas Prefeituras do Estado de São Paulo
Escândalo dos Grampos no TSE
Escândalo do Dossiê (Sexta grave crise política do governo Lula)
ONG Unitrabalho
Escândalo dos Fiscais do IBAMA do Rio de Janeiro
Escândalo da Renascer em Cristo
Crise no Setor Aérea
Escândalo de Pasadena / Petrobras
E por aí vai....

Marcus Tullius Cicero, TRIBUNO ROMANO -Estadista, Orador e Filósofo romano- (106 A.C. - 43 A.C.) Discursado em 42 a.C.

"Uma nação pode sobreviver aos idiotas e até aos gananciosos, mas não pode sobreviver à traição gerada dentro de si mesma. Um inimigo exterior não é tão perigoso, porque é conhecido e carrega suas bandeiras abertamente. Mas o traidor se move livremente dentro do governo, seus melífluos sussurros são ouvidos entre todos e ecoam no próprio vestíbulo do Estado. E esse traidor não parece ser um traidor; ele fala com familiaridade a suas vítimas, usa sua face e suas roupas e apela aos sentimentos que se alojam no coração de todas as pessoas. Ele arruína as raízes da sociedade; ele trabalha em segredo e oculto na noite para demolir as fundações da nação; ele infecta o corpo político a tal ponto que este sucumbe.”

TULLIUS

terça-feira, 8 de abril de 2014 06:57

Comunicado da Conferência Episcopal da Venezuela

COMUNICADO DE LA CEV: RESPONSABLES DE LA PAZ Y EL DESTINO DEMOCRÁTICO DE VENEZUELA


RESPONSABLES DE LA PAZ Y EL DESTINO DEMOCRÁTICO DE VENEZUELA



Caracas, 02 de Abril 2014



1. La crisis que desde el pasado 12 de Febrero vive Venezuela es sumamente grave tanto por su magnitud, ya que abarca dimensiones diversas de la vida nacional, como por su duración, violencia y nefastas consecuencias para nuestro presente y nuestro futuro. Por tal motivo, los Obispos de la Presidencia de la Conferencia EpiscopalVenezolana queremos dirigirnos de nuevo a todos los venezolanos, cualquiera sea su simpatía política.



2. Causa fundamental de la actual crisis es la pretensión del partido oficial y autoridades de la República de implantar el llamado “Plan de la Patria”, detrás del cual se esconde la promoción de un sistema de gobierno de corte totalitario, que pone en duda su perfil democrático; las restricciones a las libertades ciudadanas, en particular, la de información y opinión; la falta de políticas públicas adecuadas para enfrentar la inseguridad jurídica y ciudadana; los ataques a la producción nacional, que ha conducido a que en nuestro país hoy se haga necesaria la importación de toda clase de productos; la brutal represión de la disidencia política; el intento de “pacificación” o apaciguamiento por medio de la amenaza, la violencia verbal y la represión física.

 

3. Los estudiantes y otros manifestantes pacíficos, ejercen su legítimo derecho, previsto en la Constitución, y merecen, por tanto, todo respeto. Las manifestaciones se han visto a veces empañadas por actos de violencia que han dejado muertos, heridos y destrozos en instituciones y propiedades. Es difícil señalar el origen de todos ellos, pero es evidente que muchas acciones delictivas son originadas por personas o grupos infiltrados con el objeto de tergiversar o desacreditar las protestas y provocar su condena. El empleo de barricadas y el ataque hacia personas  e instituciones, así como la quema de vehículos particulares y de servicio público, situación que no se debe aceptar ni aplaudir.

 

4. Reiteramos nuestra firme exigencia de que el Gobierno desarme a los grupos civiles armados. Su actuación coordinada, siguiendo unos patrones determinados, demuestra que no se trata de grupos aislados o espontáneos, sino entrenados para intervenir violentamente. En muchos casos han actuado impunemente bajo la mirada indiferente de las fuerzas del orden público, por lo cual la actuación de éstas ha quedado seriamente cuestionada.



5. Lamentamos los asesinatos de civiles y de Guardias Nacionales ocurridos en las manifestaciones. Queremos recordar que el valor de la vida es absoluto y Dios lo protege con el quinto mandamiento. De igual modo rechazamos la criminalización de la protesta ciudadana y la negación práctica de los derechos humanos en el trato a los manifestantes. Denunciamos la abusiva y desmedida represión contra ellos, las torturas de que han sido objeto muchas de las personas detenidas y la persecución judicial a los Alcaldes y Diputados contrarios al oficialismo.

 

6. La restricción de la información tanto en la prensa como en los medios radioeléctricos atenta contra el derecho del pueblo a estar bien informado y también contra la posibilidad de que se conozca la verdad de los hechos y se sancione a los culpables. Sin determinar la verdad será imposible lograr la paz. Una "Comisión de la Verdad" que sea plural y que genere confianza en los ciudadanos, puede ser una gran ayuda.

 

7. El desabastecimiento, la carestía de la vida, la inseguridad y las restricciones en la venta de gasolina, más notables en el interior del país y en las zonas fronterizas, se traduce en angustia y malestar creciente de la población. A esto se añade que no pocas personas inescrupulosas, amparados en la crisis que atraviesa la nación, se han dedicado a especular con los bienes y servicios, que han subido a precios exorbitantes. Si no se toman los necesarios correctivos a estas situaciones, ellas serán una chispa que seguirá encendiendo la violencia.

 

8. El Gobierno se equivoca al querer resolver la crisis por la fuerza. La represión no es el camino. Con ella no ha podido evitar las manifestaciones de protesta ni dar respuesta al descontento y la rebeldía de la gente. La salida de la crisis es clara: el diálogo sincero del Gobierno con todos los sectores del país, con una agenda previa y condiciones de igualdad, y con gestos concretos, evaluables en el tiempo, como señales de la necesaria  rectificación. Consideramos oportuna y de gran valor la participación de la Santa Sede en el diálogo entre el Gobierno y la oposición. El pueblo venezolano apreciará en sumo grado dicha participación y sabrá reconocer el valioso aporte de la Iglesia.

 

9. Hacemos un llamado a todos los venezolanos, especialmente a los dirigentes del Gobierno y de la oposición, a considerar la extrema gravedad del momento presente, y a evitar que el país se siga desangrando y se derrumbe por la violencia. Más aún, los exhortamos al dialogo y a poner todo su esfuerzo por construir nuevas relaciones basadas en el mutuo reconocimiento, la reconciliación y la búsqueda de la normalización de la situación nacional.

 

10. La fe cristiana bien entendida nos exige a todos los creyentes responsabilizarnos del destino del país, no permanecer indiferentes sino más bien involucrarnos en la defensa de la vida, de los derechos humanos, de la libertad y la democracia. Nadie que viva en Venezuela debe decir que no le interesa o preocupa la violencia y las muertes que están aconteciendo en ciudades y pueblos. Todos, sin excepción, somos responsables de la libertad, la paz y el destino democrático de nuestra Patria.

 

11. Inspirados en la Palabra de Dios, todos los creyentes en Cristo tenemos que asumir decididamente el servicio de la reconciliación. Aprovechando la Cuaresma y la próxima Semana Santa, los sacerdotes, religiosas, laicos comprometidos en acciones pastorales y los Obispos contribuiremos a edificar la paz desde la verdad y la caridad, pues a la Iglesia le corresponde ser el ámbito de la comunión donde todos podremos encontrarnos asumiendo razonablemente nuestras diferencias. Como enseña San Pablo, nos toca derribar todo muro de división. Cristo es nuestra paz (Ef 2,14)

 

12. Nos solidarizamos con la población de las ciudades que más han sufrido la violencia y los efectos de la militarización. Particularmente con los habitantes de San Cristóbal. Invitamos a todos los católicos a ofrecer a Dios elAYUNO del próximo VIERNES SANTO EN SOLIDARIDAD con todas las familias que lloran a sus seres queridos, pidiendo para ellas consuelo, esperanza y fortaleza espiritual.

 

13. Invitamos a todos los ciudadanos, independientemente de su simpatía política, a unirnos como venezolanos, a superar el odio y la violencia, a evitar falsos rumores e informaciones que producen zozobra en la población y a comprometernos con Dios a resolver nuestros conflictos de manera pacífica. Ponemos estas intenciones en las manos amorosas de Nuestra Señora de Coromoto, Patrona de Venezuela.

 

XEmmo. Sr. Cardenal


Jorge Urosa Savino


Arzobispo de Caracas


   Presidente de Honor de la CEV


















XDiego Rafael Padrón Sánchez


Arzobispo   de Cumaná


Presidente   de la CEV


 

 

XJosé Luis Azuaje Ayala


         Obispo de Barinas


1°   Vicepresidente de la CEV






XMario Moronta Rodríguez


Obispo de San Cristóbal


2°   Vicepresidente de la CEV


 

XJesús González de Zárate


Obispo   Auxiliar de Caracas


         Secretario General de la CEV



Link: http://www.cev.org.ve/index.php/noticias-3

Roda Viva | Maria Corina Machado | 07/04/2014

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=5Ot_EXdcUQs

sábado, 5 de abril de 2014 08:06

A desinformação soviética no Brasil e o golpe de 1964


A desinformação soviética no Brasil e o golpe de 1964</p><br/><p>Ladislav Bittman</p><br/><p>Extraído de: Ladislav Bittman, The KGB And Soviet Disinformation. An Insider's View, Washington, Pergamon-Brassey's, 1985.</p><br/><p>Sob direta supervisão soviética, o departamento de desinformação tcheco, durante os anos que se seguiram, criou centenas de jogos contra os Estados Unidos, melhorou velhas técnicas de falsificação e desenvolveu novas. Quando Ivan I. Agayants, o oficial comandante do departamento de desinformação soviético, visitou Praga em 1965, ele parabenizou seus subordinados tchecos pelos seus sucessos, e enfatizou a necessidade de fortalecer a coordenação entre os serviços de inteligência do Pacto de Varsóvia.</p><br/><p>A maioria destas vitórias foi conquistada em países em desenvolvimento, perturbados por alto índice de desemprego, complicados problemas sociais, lingüísticos, tribais e econômicos, nacionalismo agressivo, influência de oficiais militares em assuntos políticos e uma considerável ingenuidade entre os líderes políticos. A América Latina, com seus fortes sentimentos anti-americanos, foi campo particularmente fértil e respondeu bem às provocações do Leste Europeu. Usando o México e o Uruguai como bases operacionais para o restante do continente, a inteligência tchecoslovaca concentrou sua atenção primeiramente no Brasil, na Argentina e no Chile, bem como no México e no Uruguai.</p><br/><p>Em fevereiro de 1965, o serviço me enviou a diversos países latino-americanos, inclusive Brasil e Argentina, para fazer a apreciação pessoal do clima político naqueles lugares e buscar novas idéias operacionais. Naquele tempo, a inteligência tcheca tinha numerosos jornalistas à sua disposição na América Latina. Ela influenciou ideológica e financeiramente diversos jornais no México e no Uruguai e até mesmo possuiu um jornal político brasileiro até abril de 1964. Mas a desinformação estava tradicionalmente ligada, em grande parte, a técnicas de falsificação.</p><br/><p>A Operação Thomas Mann estava chegando à sua conclusão quando cheguei no Brasil. Seu objetivo era provar que a política externa americana na América Latina havia passado por fundamental reavaliação e transformação desde a morte do presidente John F. Kennedy. Queríamos enfatizar a política americana de exploração e de interferência nas condições internas dos países latino-americanos. De acordo com a teoria fabricada, o Secretário-assistente de Estado Thomas A. Mann era o autor e diretor da nova política. Queríamos criar a impressão que os Estados Unidos estavam impondo pressão econômica injusta àqueles sul-americanos com políticas que eram desfavoráveis aos investimentos do capital privado americano. Também queríamos criar a impressão que os Estados Unidos estavam forçando a Organização dos Estados Americanos (OEA) a tomar uma posição mais anticomunista, enquanto a CIA planejava golpes contra os regimes do Chile, Uruguai, Brasil, México e Cuba. A operação foi projetada para criar no público latino americano uma prevenção contra a nova política linha-dura americana, incitar demonstrações mais intensas de sentimentos anti-americanos e rotular a CIA como notória perpetradora de intrigas antidemocráticas.</p><br/><p>A operação dependia apenas de canais anônimos para disseminar uma série de falsificações. A primeira falsificação - um press release falso da Agência de Informação dos Estados Unidos no Rio de Janeiro - continha os princípios fundamentais da "nova política externa americana". A segunda falsificação foi uma série de circulares publicadas em nome de uma organização mítica chamada "Comitê para a Luta contra o Imperialismo Ianque". O objetivo declarado desta organização não-existente era alertar o público latino-americano a respeito da existência de centenas de agentes da CIA, do DOD e do FBI, fantasiados de diplomatas. Uma terceira falsificação foi uma carta supostamente escrita por J. Edgar Hoover, diretor do FBI, para Thomas A. Brady, um agente do FBI. A carta dava crédito ao FBI e à CIA pela execução bem sucedida do golpe brasileiro de 1964.</p><br/><p>O falso press release da USIA no Rio de Janeiro foi mimeografado e distribuído em meados de fevereiro de 1964, numa simulação de envelope da USIA, para a imprensa brasileira e políticos brasileiros selecionados. Uma carta de apresentação, anexada ao release e supostamente escrita por um funcionário local da USIA, declarava que o chefe americano da missão havia suprimido a carta por ser franca demais. O funcionário revelava que havia conseguido reter diversas cópias e que as enviara à imprensa brasileira porque estava convencido de que o público devia saber a verdade. Como conclusão, o remetente anônimo dizia que não podia revelar seu nome porque estaria arriscando a perda de seu emprego.</p><br/><p>Em 27 de fevereiro de 1964, a falsificação apareceu no jornal brasileiro O Semanário sob a manchete "MANN DETERMINA LINHA DURA PARA OS EUA: NÓS NÃO SOMOS MASCATES PARA NEGOCIAREM CONOSCO", e um ataque anti-americano acompanhava o texto do press release falsificado. Alguns dias depois, em 2 de março de 1964, Guerreiro Ramos, um membro do Partido Trabalhista Brasileiro, fez um discurso em que comentava a nova política atribuída a Thomas Mann e concluía que os Estados Unidos haviam obviamente retornado à linha dura de John Foster Dulles após a morte do presidente Kennedy. (Ele posteriormente reconheceu seu erro e explicou que a declaração atribuída a Mann estava baseada em um documento forjado.) Em uma declaração pública de 3 de março, o embaixador americano no Rio de Janeiro respondeu a funcionários brasileiros que Mann jamais havia proposto tais políticas e que aquela embaixada jamais havia emitido aquele press release.</p><br/><p>Nos meses que se seguiram, a imprensa esquerdista latino-americana usou o nome de Thomas A. Mann como um símbolo vivo do imperialismo americano. Em 29 de abril de 1964, o semanário mexicano pró-comunista Siempre publicou um artigo fazendo referência ao chamado Plano Thomas Mann contra a América Latina, e acrescentou que o plano pedia a queda dos governos do Chile, do Brasil, do Uruguai e de Cuba, e o isolamento do México durante o ano de 1964; o jornal uruguaio Epoca repetiu a acusação em 20 de maio. Duas semanas depois, o primeiro secretário do Partido Comunista Uruguaio falou no parlamento, no contexto de uma discussão sobre exportações americanas, e acusou Thomas Mann de "cinicamente favorecer golpes de Estado". Quando a embaixada americana em Montevidéu - no dia seguinte - publicou um lembrete de que o assim chamado Plano Thomas Mann era uma falsificação, o órgão de imprensa comunista El Popular respondeu em 5 de junho de 1964 com um artigo eloqüentemente entitulado "Mister Mann: Plano de Guerrilha para toda América Latina". Mesmo bastante tempo depois, em 16 de junho de 1965, o jornal esquerdista mexicano El Dia publicou um quarto de página com o anúncio do "Comitê de Coordenação Nacional para o apoio à Revolução Cubana". O artigo declarava que, em 1964, Mann havia liderado a Operação Isolamento, criada para enfraquecer a posição de Cuba como líder da luta anti-imperialista na América Latina.</p><br/><p>Como já foi mencionado anteriormente, uma segunda técnica usada nessa campanha de desinformação consistiu em circulares e proclamações disseminadas em nome de uma organização fictícia, o "Comitê para a Luta contra o Imperialismo Ianque". A maior parte destes documentos identificava representantes americanos na América Latina como espiões, inclusive diplomatas, homens de negócio e jornalistas. A seleção de candidatos era relativamente simples. Publicações americanas continham valiosos dados bibliográficos a respeito de diplomatas americanos e empregados de diversas organizações oficiais e privadas americanas que operavam no exterior. Era fácil selecionar aqueles cuja biografia estivesse de acordo com o objetivo da falsificação. Estas acusações fictícias eram aceitas na maioria das vezes como informação confiável.</p><br/><p>Em julho de 1964, o público latino-americano recebeu "prova" adicional de atividades subversivas americanas na forma de duas cartas forjadas assinadas por J. Edgar Hoover. Ambas estavam endereçadas a Thomas Brandy, um funcionário do FBI. A primeira, datada de 2 de janeiro de 1961, era uma mensagem de parabéns pela ocasião do aniversário de vinte anos de serviço de Brady no FBI. Seu objetivo era autenticar uma segunda carta, datada de 15 de abril de 1964, para a mesma pessoa.</p><br/><p>"Washington, D.C</p><br/><p>15 de abril de 1964</p><br/><p>Pessoal</p><br/><p>Caro Sr. Brady: Quero fazer uso desta para expressar meu apreço pessoal a cada agente lotado no Brasil, pelos serviços prestados na execução da "Revisão".</p><br/><p>A admiração pela forma dinâmica e eficiente que esta operação em larga escala foi executada, em uma terra estrangeira e sob condições difíceis, levou-me a expressar minha gratidão. O pessoal da CIA cumpriu bem o seu papel e conseguiu muito. Entretanto, os esforços de nossos agentes tiveram valor especial. Estou particularmente feliz de que a nossa participação no caso tenha se mantido secreta e de que a Administração não tenha tido de fazer declarações públicas, negando-a. Podemos todos nos orgulhar da participação vital do FBI na proteção da segurança da Nação, mesmo além de suas fronteiras.</p><br/><p>Estou perfeitamente ciente de que nossos agentes muitas vezes fazem sacrifícios pessoais no cumprimento de seus deveres. As condições de vida no Brasil podem não ser as melhores, mas é realmente muito encorajador saber que - pela sua lealdade e pelas realizações através das quais vocês têm prestado serviço à seu país, de forma vital mesmo que não glamurosa - vocês não abandonam o trabalho. É este espírito que hoje permite que o nosso Bureau enfrente com sucesso suas graves responsabilidades. Sinceramente, J. E. Hoover".</p><br/><p>Como o texto implica, a intenção da falsificação era provar o envolvimento direto americano da deposição do governo brasileiro de João Goulart. O serviço tchecoslovaco teria preferido depositar toda a culpa na CIA, mas a razão da inclusão do FBI na conspiração americana foi muito prosaica: o serviço secreto não tinha o modelo do papel timbrado da CIA naquela época. A falsificação e uma das circulares mencionadas anteriormente apareceram primeiramente no jornal argentino Propositos, em 23 de julho. A esta publicação seguiu-se uma reação em cadeia na imprensa latino-americana, à medida que os jornais, um a um, se revezaram em espalhar essa "nova onda de atividade subversiva americana." (*)</p><br/><p>* Ultima Hora, Santiago, 24 de julho de 1964; Vistazo, Santiago, 27 de julho de 1964; El Siglo, Santiago, 28 de julho de 1964; El Popular, Montevidéu, 28 de julho de 1964; Prensa Latina, Montevidéu, 28 de julho de 1964; Marcha, Montevidéu, 31 de julho de 1964; Epoca, Montevidéu, 1 de agosto de 1964; Combate, Santiago, 1 de agosto de 1964; El Siglo, Santiago, 2 de agosto de 1964; El Dia, Cidade do México, 17 e 20 de janeiro de 1965; La Gacota, Bogotá, março/abril, 1965; e provavelmente muitos outros.

A desinformação soviética no Brasil e o golpe de 1964


Ladislav Bittman


Extraído de: Ladislav Bittman, The KGB And Soviet Disinformation. An Insider's View, Washington, Pergamon-Brassey's, 1985.

Sob direta supervisão soviética, o departamento de desinformação tcheco, durante os anos que se seguiram, criou centenas de jogos contra os Estados Unidos, melhorou velhas técnicas de falsificação e desenvolveu novas. Quando Ivan I. Agayants, o oficial comandante do departamento de desinformação soviético, visitou Praga em 1965, ele parabenizou seus subordinados tchecos pelos seus sucessos, e enfatizou a necessidade de fortalecer a coordenação entre os serviços de inteligência do Pacto de Varsóvia.

A maioria destas vitórias foi conquistada em países em desenvolvimento, perturbados por alto índice de desemprego, complicados problemas sociais, lingüísticos, tribais e econômicos, nacionalismo agressivo, influência de oficiais militares em assuntos políticos e uma considerável ingenuidade entre os líderes políticos. A América Latina, com seus fortes sentimentos anti-americanos, foi campo particularmente fértil e respondeu bem às provocações do Leste Europeu. Usando o México e o Uruguai como bases operacionais para o restante do continente, a inteligência tchecoslovaca concentrou sua atenção primeiramente no Brasil, na Argentina e no Chile, bem como no México e no Uruguai.

Em fevereiro de 1965, o serviço me enviou a diversos países latino-americanos, inclusive Brasil e Argentina, para fazer a apreciação pessoal do clima político naqueles lugares e buscar novas idéias operacionais. Naquele tempo, a inteligência tcheca tinha numerosos jornalistas à sua disposição na América Latina. Ela influenciou ideológica e financeiramente diversos jornais no México e no Uruguai e até mesmo possuiu um jornal político brasileiro até abril de 1964. Mas a desinformação estava tradicionalmente ligada, em grande parte, a técnicas de falsificação.

A Operação Thomas Mann estava chegando à sua conclusão quando cheguei no Brasil. Seu objetivo era provar que a política externa americana na América Latina havia passado por fundamental reavaliação e transformação desde a morte do presidente John F. Kennedy. Queríamos enfatizar a política americana de exploração e de interferência nas condições internas dos países latino-americanos. De acordo com a teoria fabricada, o Secretário-assistente de Estado Thomas A. Mann era o autor e diretor da nova política. Queríamos criar a impressão que os Estados Unidos estavam impondo pressão econômica injusta àqueles sul-americanos com políticas que eram desfavoráveis aos investimentos do capital privado americano. Também queríamos criar a impressão que os Estados Unidos estavam forçando a Organização dos Estados Americanos (OEA) a tomar uma posição mais anticomunista, enquanto a CIA planejava golpes contra os regimes do Chile, Uruguai, Brasil, México e Cuba. A operação foi projetada para criar no público latino americano uma prevenção contra a nova política linha-dura americana, incitar demonstrações mais intensas de sentimentos anti-americanos e rotular a CIA como notória perpetradora de intrigas antidemocráticas.

A operação dependia apenas de canais anônimos para disseminar uma série de falsificações. A primeira falsificação - um press release falso da Agência de Informação dos Estados Unidos no Rio de Janeiro - continha os princípios fundamentais da "nova política externa americana". A segunda falsificação foi uma série de circulares publicadas em nome de uma organização mítica chamada "Comitê para a Luta contra o Imperialismo Ianque". O objetivo declarado desta organização não-existente era alertar o público latino-americano a respeito da existência de centenas de agentes da CIA, do DOD e do FBI, fantasiados de diplomatas. Uma terceira falsificação foi uma carta supostamente escrita por J. Edgar Hoover, diretor do FBI, para Thomas A. Brady, um agente do FBI. A carta dava crédito ao FBI e à CIA pela execução bem sucedida do golpe brasileiro de 1964.

O falso press release da USIA no Rio de Janeiro foi mimeografado e distribuído em meados de fevereiro de 1964, numa simulação de envelope da USIA, para a imprensa brasileira e políticos brasileiros selecionados. Uma carta de apresentação, anexada ao release e supostamente escrita por um funcionário local da USIA, declarava que o chefe americano da missão havia suprimido a carta por ser franca demais. O funcionário revelava que havia conseguido reter diversas cópias e que as enviara à imprensa brasileira porque estava convencido de que o público devia saber a verdade. Como conclusão, o remetente anônimo dizia que não podia revelar seu nome porque estaria arriscando a perda de seu emprego.

Em 27 de fevereiro de 1964, a falsificação apareceu no jornal brasileiro O Semanário sob a manchete "MANN DETERMINA LINHA DURA PARA OS EUA: NÓS NÃO SOMOS MASCATES PARA NEGOCIAREM CONOSCO", e um ataque anti-americano acompanhava o texto do press release falsificado. Alguns dias depois, em 2 de março de 1964, Guerreiro Ramos, um membro do Partido Trabalhista Brasileiro, fez um discurso em que comentava a nova política atribuída a Thomas Mann e concluía que os Estados Unidos haviam obviamente retornado à linha dura de John Foster Dulles após a morte do presidente Kennedy. (Ele posteriormente reconheceu seu erro e explicou que a declaração atribuída a Mann estava baseada em um documento forjado.) Em uma declaração pública de 3 de março, o embaixador americano no Rio de Janeiro respondeu a funcionários brasileiros que Mann jamais havia proposto tais políticas e que aquela embaixada jamais havia emitido aquele press release.

Nos meses que se seguiram, a imprensa esquerdista latino-americana usou o nome de Thomas A. Mann como um símbolo vivo do imperialismo americano. Em 29 de abril de 1964, o semanário mexicano pró-comunista Siempre publicou um artigo fazendo referência ao chamado Plano Thomas Mann contra a América Latina, e acrescentou que o plano pedia a queda dos governos do Chile, do Brasil, do Uruguai e de Cuba, e o isolamento do México durante o ano de 1964; o jornal uruguaio Epoca repetiu a acusação em 20 de maio. Duas semanas depois, o primeiro secretário do Partido Comunista Uruguaio falou no parlamento, no contexto de uma discussão sobre exportações americanas, e acusou Thomas Mann de "cinicamente favorecer golpes de Estado". Quando a embaixada americana em Montevidéu - no dia seguinte - publicou um lembrete de que o assim chamado Plano Thomas Mann era uma falsificação, o órgão de imprensa comunista El Popular respondeu em 5 de junho de 1964 com um artigo eloqüentemente entitulado "Mister Mann: Plano de Guerrilha para toda América Latina". Mesmo bastante tempo depois, em 16 de junho de 1965, o jornal esquerdista mexicano El Dia publicou um quarto de página com o anúncio do "Comitê de Coordenação Nacional para o apoio à Revolução Cubana". O artigo declarava que, em 1964, Mann havia liderado a Operação Isolamento, criada para enfraquecer a posição de Cuba como líder da luta anti-imperialista na América Latina.

Como já foi mencionado anteriormente, uma segunda técnica usada nessa campanha de desinformação consistiu em circulares e proclamações disseminadas em nome de uma organização fictícia, o "Comitê para a Luta contra o Imperialismo Ianque". A maior parte destes documentos identificava representantes americanos na América Latina como espiões, inclusive diplomatas, homens de negócio e jornalistas. A seleção de candidatos era relativamente simples. Publicações americanas continham valiosos dados bibliográficos a respeito de diplomatas americanos e empregados de diversas organizações oficiais e privadas americanas que operavam no exterior. Era fácil selecionar aqueles cuja biografia estivesse de acordo com o objetivo da falsificação. Estas acusações fictícias eram aceitas na maioria das vezes como informação confiável.

Em julho de 1964, o público latino-americano recebeu "prova" adicional de atividades subversivas americanas na forma de duas cartas forjadas assinadas por J. Edgar Hoover. Ambas estavam endereçadas a Thomas Brandy, um funcionário do FBI. A primeira, datada de 2 de janeiro de 1961, era uma mensagem de parabéns pela ocasião do aniversário de vinte anos de serviço de Brady no FBI. Seu objetivo era autenticar uma segunda carta, datada de 15 de abril de 1964, para a mesma pessoa.

"Washington, D.C

15 de abril de 1964

Pessoal

Caro Sr. Brady: Quero fazer uso desta para expressar meu apreço pessoal a cada agente lotado no Brasil, pelos serviços prestados na execução da "Revisão".

A admiração pela forma dinâmica e eficiente que esta operação em larga escala foi executada, em uma terra estrangeira e sob condições difíceis, levou-me a expressar minha gratidão. O pessoal da CIA cumpriu bem o seu papel e conseguiu muito. Entretanto, os esforços de nossos agentes tiveram valor especial. Estou particularmente feliz de que a nossa participação no caso tenha se mantido secreta e de que a Administração não tenha tido de fazer declarações públicas, negando-a. Podemos todos nos orgulhar da participação vital do FBI na proteção da segurança da Nação, mesmo além de suas fronteiras.

Estou perfeitamente ciente de que nossos agentes muitas vezes fazem sacrifícios pessoais no cumprimento de seus deveres. As condições de vida no Brasil podem não ser as melhores, mas é realmente muito encorajador saber que - pela sua lealdade e pelas realizações através das quais vocês têm prestado serviço à seu país, de forma vital mesmo que não glamurosa - vocês não abandonam o trabalho. É este espírito que hoje permite que o nosso Bureau enfrente com sucesso suas graves responsabilidades. Sinceramente, J. E. Hoover".

Como o texto implica, a intenção da falsificação era provar o envolvimento direto americano da deposição do governo brasileiro de João Goulart. O serviço tchecoslovaco teria preferido depositar toda a culpa na CIA, mas a razão da inclusão do FBI na conspiração americana foi muito prosaica: o serviço secreto não tinha o modelo do papel timbrado da CIA naquela época. A falsificação e uma das circulares mencionadas anteriormente apareceram primeiramente no jornal argentino Propositos, em 23 de julho. A esta publicação seguiu-se uma reação em cadeia na imprensa latino-americana, à medida que os jornais, um a um, se revezaram em espalhar essa "nova onda de atividade subversiva americana." (*)

* Ultima Hora, Santiago, 24 de julho de 1964; Vistazo, Santiago, 27 de julho de 1964; El Siglo, Santiago, 28 de julho de 1964; El Popular, Montevidéu, 28 de julho de 1964; Prensa Latina, Montevidéu, 28 de julho de 1964; Marcha, Montevidéu, 31 de julho de 1964; Epoca, Montevidéu, 1 de agosto de 1964; Combate, Santiago, 1 de agosto de 1964; El Siglo, Santiago, 2 de agosto de 1964; El Dia, Cidade do México, 17 e 20 de janeiro de 1965; La Gacota, Bogotá, março/abril, 1965; e provavelmente muitos outros.

 

 

 

 

 

Originalmente "postado" no InglouriousDoctor por Alexandre Monteiro

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